Capítulo 4 - Encontro ao acaso
A cozinha estava arrumada e graças a Deus não havia nenhum sinal de distrações com olhos claros... Posso colocar os pensamentos em ordem. Ou melhor, os neurônios. Realmente não sei onde eu estava com a cabeça pra deixar aquilo acontecer.
Tenho que pregar no meu cérebro que o Ethan foi só uma paixonite do passado, com grandes olhos azuis e cabelos loiro-barra-pretos. Só isso, nada mais. Com meus pensamentos, me dirigi à geladeira para pegar os pães, e dei uma examinada para ver se encontrava um outro ingrediente pra preencher os sanduíches. Depois fui até o balcão ao lado da pia, liguei a torradeira e coloquei os pães. Me sentia inquieta e passei a me perguntar o que ele estava fazendo agora... Fui até a geladeira outra vez e peguei alface, tomate e ketchup. Coloquei tudo na mesa em passos lentos e fui tirar os pães da torradeira quando ouvi um barulho vindo lá de cima. Mas não é possível, será que tem ratos em casa? Tirei os pães da torradeira e coloquei nos pratos, então fui subir para ver o que era, estava correndo e bati de cara com algo, quando percebi, já estava no chão em cima do... Ethan, droga, por que você sempre está no caminho? Estava me levantando quando me pegou pelas costas e me virou, ficando por cima de mim. Nossos olhares se encontraram e eu estava ofegante por causa da corrida. Ele deu um meio sorriso brincalhão e baixou pra falar no meu ouvido.
- Tenho certeza que você não devia correr na escada. Ainda mais com esse pé machucado.
- Pois é, tem um homem bem aqui que não presta atenção nos barulhos, já estaríamos mortos se fosse por esse lindo homem.
Certo, eu amava meu sarcasmo. Ele roçou os lábios na minha orelha...
- Eu estava tentando ir ver o que era, até uma certa garota ficar por cima de mim.
O que? Ah, ele queria jogar.
- Se você não estivesse no meio do meu caminho - sempre -, eu não teria TROPEÇADO em você.
Dei uma certa ênfase no "tropeçado", então peguei seus pulsos e em movimentos rápidos o virei e sentei em sua barria, levando seus pulsos dos lados de sua cabeça. Ele deu uma risadinha. Então me levantei e me dirigi até o quarto do meu pai para ver o que era o barulho. Acendi a luz e ouvi Ethan vir atrás de mim. Procurei pelo quarto e não encontrei nada...
- Ali.
Me virei para ver Ethan apontando em frente ao guarda-roupas grande do meu pai. O taco de beisebol dele tinha caído de cima.
- Mas, não tem co...
Ouvi um barulhinho em baixo da cama e eu e o Ethan nos viramos. Me abaixei e encontrei um...
- Ah meu Deus!
- O que foi? - Perguntou meio desesperado
Peguei o pequeno felino e segurei-o no colo enquanto ficava de pé.
- Um gatinho preto.
- Como ele entrou?
Olhei para trás e vi que a janela estava aberta.
- Bom, meus instintos dizem que foi pela janela... Que está aberta, sabe?
- Haha...
Fiquei sorrindo que nem besta pro gatinho, e Ethan sentou na cama, deitando apenas as costas e colocando os braços atrás da cabeça. Fiquei olhando, ele ainda estava sem camisa. Não.
- Eu vou lá embaixo terminar de fazer os sanduíches. Pode descer, mas antes, se importa de fechar essa janela pra mim?
- Não, claro eu fecho.
Desci as escadas e fui para a cozinha. Depois de colocar o gato no chão, lavei as mãos e estava pensando se meu pai deixaria eu ficar com o gatinho enquanto arrumava os sanduíches. Acho que sim. Um par de olhos azuis apareceu na porta da cozinha e se sentou na cadeira ao meu lado.
- Hmm, que cheiro gostoso.
- Minha especialidade. Pão light.
Ele riu. O som da risada dele era maravilhoso, fez arrepiar os cabelos da minha nuca.
- Sirva-se.
Sentei-me na cadeira de frente para ele e comecei a comer, observando ele fazer o mesmo. Lembrei da vez que fomos à um restaurante japonês e ele não sabia comer com os hachis, ele deixava cair tudo. Sem querer deixei escapar uma risada.
- Acho que não sou tão engraçado assim comendo.
- Desculpa.
Disse, saciando minha risada.
- Certo... - Ele sorriu, aqueles dentes... - Vai ficar com o gato?
- Vou.
- Já sabe o nome?
- Ainda não. Mas eu arranjo um legal.
Ele terminou de comer, e eu uns instantes depois dele. Levantei para levar os pratos à pia.
- Deixa que eu levo.
Ah, então ele estava educado.
- Obrigada sr. Cavalheiro.
Pegando os pratos, se virou e foi até a pia, alinhando-os dentro dela. Decidi ir à procura do gato, cujo nome ainda não me tinha vindo à mente, enquanto Ethan lavava a louça. Encontrei-o indo para baixo do sofá e involuntariamente dei um riso. Ele precisava comer, não sabia bem qual ração comprar, mas creio que qualquer vendedor dessas lojas que vendiam coisas para animais saberia me indicar.
- Ethan! Estou indo comprar umas coisas pro gatinho, volto em alguns minutos.
Gritei enquanto subia as escadas e me dirigia até meu quarto. Peguei meu celular, minha carteira encima do criado-mudo e fui até o guarda-roupas pronta para trocar o pijama quando ele aparece na porta, secando as mãos com o pano de prato.
- Certo, só cuidado com esse pé. Na verdade não era nem pra você sair nesse estado, não quer que eu vá?
- Não, tudo bem. Eu consigo andar
- Hm
Você pode por favor se virar pra eu poder trocar de roupa?
- Ah, eu gosto dos gatinhos - Protestou com divertimento na voz.
- Sei
Quando ele fez o favor de virar, peguei uma muda de roupas e me vesti. Uma regata preta simples, um jeans justo rasgado nas pernas e meu all star cano alto azul bebê. Então fui em direção à ele o empurrando pelas costas.
- Pronto...
Ele pegou meus pulsos enquanto se virava rapidamente e me colocou contra o guarda-roupas.
- Ethan, para...
- Me beija - Ele sussurrou no meu ouvido, seu hálito quente fazendo cócegas na minha pele.
Encarei aqueles olhos brilhantes olhando para minha boca... Logo, puxei-o pelos cabelos para trás e desci as escadas.
- Que agressividade!
Ele gritou e pude perceber seu divertimento. "Babaca..."
Estava entrando na loja, quando abri a porta, o pequeno sino acima tocou, anunciando mais um cliente. Fui andando até o balcão enquanto olhava os brinquedinhos e tipos variados de rações. Chegando perto do balcão, não pude deixar de reparar no vendedor. Estava de cabeça baixa mexendo em alguns papéis, mas dava pra notar que era lindo. Seu cabelo era castanho escuro e seus músculos eram bem definidos. Uma camiseta preta de gola "v" se agarrava a seu corpo e, por baixo do fino balcão, pude ver sua calça jeans larga escura, desbotada, e botas pretas. Uau, temos então um bad boy...
- Posso ajudar?
Saindo de meus pensamentos, olhei para os olhos do garoto, aqueles olhos verdes... me olhavam em diversão.
- S-sim... Grun - limpei a garganta e fui até o balcão. - Um gatinho foi parar na minha casa e, bom, eu vou ficar com ele. O problema é que não sei o que comprar pra ele comer.
Pelo sorriso dele, creio que devia estar se divertindo com o tom de cor que minhas bochechas adotaram.
- Okay
Ele saiu detrás do balcão e se dirigiu até uma das prateleiras. O rosto dele era perfeito, lábios finos, olhos grandes e verdes, o cabelo desarrumado...
- Ele é filhote?
- Hum? Ah, sim, é filhote sim.
- Beleza, acho que esse aqui serve.
Virou-se pra mim com o pacote verde nas mãos e indo de volta até detrás do balcão, me entregou dentro de uma sacola.
- 10 dólares.
Abrindo minha carteira vermelha, lhe entrego o dinheiro, que coloca no caixa.
- Obrigada, hum - procurei por algum sinal de um crachá, mas não havia nenhum.
- BD
- BD?
- Algum problema? - Ele sorriu
- Nenhum. Só... Esse é seu nome?
- Apelido.
- Então qual seu nome?
- Talvez um dia eu te conte.
Sério? Ele tinha um sorriso na cara. Okay, ele achava aquilo engraçado.
- Certo, "BD". Até algum dia.
- Até algum dia, huuuum...
- Talvez um dia eu te conte.
Dei uma piscada, observando a cara de surpresa dele e me virei para a porta, dando um riso de satisfação assim que sai, me dirigindo pra casa.
Tenho que pregar no meu cérebro que o Ethan foi só uma paixonite do passado, com grandes olhos azuis e cabelos loiro-barra-pretos. Só isso, nada mais. Com meus pensamentos, me dirigi à geladeira para pegar os pães, e dei uma examinada para ver se encontrava um outro ingrediente pra preencher os sanduíches. Depois fui até o balcão ao lado da pia, liguei a torradeira e coloquei os pães. Me sentia inquieta e passei a me perguntar o que ele estava fazendo agora... Fui até a geladeira outra vez e peguei alface, tomate e ketchup. Coloquei tudo na mesa em passos lentos e fui tirar os pães da torradeira quando ouvi um barulho vindo lá de cima. Mas não é possível, será que tem ratos em casa? Tirei os pães da torradeira e coloquei nos pratos, então fui subir para ver o que era, estava correndo e bati de cara com algo, quando percebi, já estava no chão em cima do... Ethan, droga, por que você sempre está no caminho? Estava me levantando quando me pegou pelas costas e me virou, ficando por cima de mim. Nossos olhares se encontraram e eu estava ofegante por causa da corrida. Ele deu um meio sorriso brincalhão e baixou pra falar no meu ouvido.
- Tenho certeza que você não devia correr na escada. Ainda mais com esse pé machucado.
- Pois é, tem um homem bem aqui que não presta atenção nos barulhos, já estaríamos mortos se fosse por esse lindo homem.
Certo, eu amava meu sarcasmo. Ele roçou os lábios na minha orelha...
- Eu estava tentando ir ver o que era, até uma certa garota ficar por cima de mim.
O que? Ah, ele queria jogar.
- Se você não estivesse no meio do meu caminho - sempre -, eu não teria TROPEÇADO em você.
Dei uma certa ênfase no "tropeçado", então peguei seus pulsos e em movimentos rápidos o virei e sentei em sua barria, levando seus pulsos dos lados de sua cabeça. Ele deu uma risadinha. Então me levantei e me dirigi até o quarto do meu pai para ver o que era o barulho. Acendi a luz e ouvi Ethan vir atrás de mim. Procurei pelo quarto e não encontrei nada...
- Ali.
Me virei para ver Ethan apontando em frente ao guarda-roupas grande do meu pai. O taco de beisebol dele tinha caído de cima.
- Mas, não tem co...
Ouvi um barulhinho em baixo da cama e eu e o Ethan nos viramos. Me abaixei e encontrei um...
- Ah meu Deus!
- O que foi? - Perguntou meio desesperado
Peguei o pequeno felino e segurei-o no colo enquanto ficava de pé.
- Um gatinho preto.
- Como ele entrou?
Olhei para trás e vi que a janela estava aberta.
- Bom, meus instintos dizem que foi pela janela... Que está aberta, sabe?
- Haha...
Fiquei sorrindo que nem besta pro gatinho, e Ethan sentou na cama, deitando apenas as costas e colocando os braços atrás da cabeça. Fiquei olhando, ele ainda estava sem camisa. Não.
- Eu vou lá embaixo terminar de fazer os sanduíches. Pode descer, mas antes, se importa de fechar essa janela pra mim?
- Não, claro eu fecho.
Desci as escadas e fui para a cozinha. Depois de colocar o gato no chão, lavei as mãos e estava pensando se meu pai deixaria eu ficar com o gatinho enquanto arrumava os sanduíches. Acho que sim. Um par de olhos azuis apareceu na porta da cozinha e se sentou na cadeira ao meu lado.
- Hmm, que cheiro gostoso.
- Minha especialidade. Pão light.
Ele riu. O som da risada dele era maravilhoso, fez arrepiar os cabelos da minha nuca.
- Sirva-se.
Sentei-me na cadeira de frente para ele e comecei a comer, observando ele fazer o mesmo. Lembrei da vez que fomos à um restaurante japonês e ele não sabia comer com os hachis, ele deixava cair tudo. Sem querer deixei escapar uma risada.
- Acho que não sou tão engraçado assim comendo.
- Desculpa.
Disse, saciando minha risada.
- Certo... - Ele sorriu, aqueles dentes... - Vai ficar com o gato?
- Vou.
- Já sabe o nome?
- Ainda não. Mas eu arranjo um legal.
Ele terminou de comer, e eu uns instantes depois dele. Levantei para levar os pratos à pia.
- Deixa que eu levo.
Ah, então ele estava educado.
- Obrigada sr. Cavalheiro.
Pegando os pratos, se virou e foi até a pia, alinhando-os dentro dela. Decidi ir à procura do gato, cujo nome ainda não me tinha vindo à mente, enquanto Ethan lavava a louça. Encontrei-o indo para baixo do sofá e involuntariamente dei um riso. Ele precisava comer, não sabia bem qual ração comprar, mas creio que qualquer vendedor dessas lojas que vendiam coisas para animais saberia me indicar.
- Ethan! Estou indo comprar umas coisas pro gatinho, volto em alguns minutos.
Gritei enquanto subia as escadas e me dirigia até meu quarto. Peguei meu celular, minha carteira encima do criado-mudo e fui até o guarda-roupas pronta para trocar o pijama quando ele aparece na porta, secando as mãos com o pano de prato.
- Certo, só cuidado com esse pé. Na verdade não era nem pra você sair nesse estado, não quer que eu vá?
- Não, tudo bem. Eu consigo andar
- Hm
Você pode por favor se virar pra eu poder trocar de roupa?
- Ah, eu gosto dos gatinhos - Protestou com divertimento na voz.
- Sei
Quando ele fez o favor de virar, peguei uma muda de roupas e me vesti. Uma regata preta simples, um jeans justo rasgado nas pernas e meu all star cano alto azul bebê. Então fui em direção à ele o empurrando pelas costas.
- Pronto...
Ele pegou meus pulsos enquanto se virava rapidamente e me colocou contra o guarda-roupas.
- Ethan, para...
- Me beija - Ele sussurrou no meu ouvido, seu hálito quente fazendo cócegas na minha pele.
Encarei aqueles olhos brilhantes olhando para minha boca... Logo, puxei-o pelos cabelos para trás e desci as escadas.
- Que agressividade!
Ele gritou e pude perceber seu divertimento. "Babaca..."
Estava entrando na loja, quando abri a porta, o pequeno sino acima tocou, anunciando mais um cliente. Fui andando até o balcão enquanto olhava os brinquedinhos e tipos variados de rações. Chegando perto do balcão, não pude deixar de reparar no vendedor. Estava de cabeça baixa mexendo em alguns papéis, mas dava pra notar que era lindo. Seu cabelo era castanho escuro e seus músculos eram bem definidos. Uma camiseta preta de gola "v" se agarrava a seu corpo e, por baixo do fino balcão, pude ver sua calça jeans larga escura, desbotada, e botas pretas. Uau, temos então um bad boy...
- Posso ajudar?
Saindo de meus pensamentos, olhei para os olhos do garoto, aqueles olhos verdes... me olhavam em diversão.
- S-sim... Grun - limpei a garganta e fui até o balcão. - Um gatinho foi parar na minha casa e, bom, eu vou ficar com ele. O problema é que não sei o que comprar pra ele comer.
Pelo sorriso dele, creio que devia estar se divertindo com o tom de cor que minhas bochechas adotaram.
- Okay
Ele saiu detrás do balcão e se dirigiu até uma das prateleiras. O rosto dele era perfeito, lábios finos, olhos grandes e verdes, o cabelo desarrumado...
- Ele é filhote?
- Hum? Ah, sim, é filhote sim.
- Beleza, acho que esse aqui serve.
Virou-se pra mim com o pacote verde nas mãos e indo de volta até detrás do balcão, me entregou dentro de uma sacola.
- 10 dólares.
Abrindo minha carteira vermelha, lhe entrego o dinheiro, que coloca no caixa.
- Obrigada, hum - procurei por algum sinal de um crachá, mas não havia nenhum.
- BD
- BD?
- Algum problema? - Ele sorriu
- Nenhum. Só... Esse é seu nome?
- Apelido.
- Então qual seu nome?
- Talvez um dia eu te conte.
Sério? Ele tinha um sorriso na cara. Okay, ele achava aquilo engraçado.
- Certo, "BD". Até algum dia.
- Até algum dia, huuuum...
- Talvez um dia eu te conte.
Dei uma piscada, observando a cara de surpresa dele e me virei para a porta, dando um riso de satisfação assim que sai, me dirigindo pra casa.
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