Capítulo 3 - Cedendo

   Bem, já que eu vou ficar sozinha em casa, eu tenho que pensar em algo para fazer... Como uma festa... Não, Ethan, Sam e Jô são meus únicos amigos. Ok, entendi, não vou fazer nada de interessante, assim como todos as outras pessoas "normais" da escola. Bom, vamos limpar essa bagunça. Me levanto e vou até a cozinha, com um pé, pulando. Dá uma vontade de rir, devo ter algum problema... Acho que tinha um pano por aqui... Veremos, ah sim, em cima da pia. Ok, falta a vassoura. Lá fora, legal. Vou pulando, tomando cuidado pra não ferrar o outro pé também nos caquinhos de vidro. Abro a porta, em chave, estava aberta ainda. Vou até a parte da frente e viro, num corredor que tem, na lateral da casa. Vai até um portãozinho que leva aos fundos. A vassoura estava perto do balcão que meu pai usava para dar churrasco em casa... Pego ela e entro em casa novamente, vou afastando todos os caquinhos para ao lado da porta da frente. Depois pego o pano e um saquinho e coloco todos lá dentro, pego uma caixinha de papelão e coloco lá, por precaução.
   Sento-me no sofá da sala, quase me jogando e coloco o pé enfaixado em cima da mesinha. Pensei em ligar para meu pai, falar o que aconteceu, mas não queria perturba-lo. Já que não vou no meu primeiro dia de aula, tenho que pensar em algo pra fazer...
                                                                            - - -
   Acabei ficando a manhã inteira e parte do dia no sofá, assistindo uns programas toscos na TV e comendo chocolate. Nem almocei, acho que não queria nada com sal. Estranho...  Olhei no relógio, 15:35. Faltavam 10 minutos pro Ethan voltar aqui. Droga, não queria que ele viesse, é estranho... A gente não se falava a uns dois meses e de repente ele aparece assim.
   Tenho que tomar um banho pra relaxar, antes que ele chegue. Vou até o banheiro da parte debaixo da casa mesmo, não dava pra subir as escadas toda hora. Deixo a porta entreaberta, pego uma toalha no armário embaixo da pia e coloco no ganchinho de toalha ao lado da banheira. Tiro a roupa, me enrolo na toalha e abro a torneira pra encher a banheira. Vou até a pia e me olho no espelho. Minha maquiagem tinha borrado, mas sem problemas. Depois de uns 5 minutos, a banheira já estava cheia, a água morna, como gosto. Entro, tomando cuidado para não molhar o curativo, deito e coloco o pé em cima da borda da banheira, sem molhar.
  Depois de uns treze minutos, ouço a porta da frente se abrir. Provavelmente Ethan. Acho que ele nem passou na casa dele antes de vir pra cá...
- Kat?
Droga, caiu a fixa que a porta do banheiro está aberta... Ouço ele vindo em direção ao banheiro. Fecho a cortina da banheira. Ele entra e tenho quase certeza que ele senta na tampa do vaso sanitário.
- Oi - Diz ele, com um "sorriso na voz". Por que ele está sorrindo?
- Hm, oi...
- E então, como passou até agora?
- Bem. Passei a tarde na frente da TV
- E comendo chocolate
- Como sabe?
- O papel ainda está em cima da mesinha da sala...
- Ah tá - e rio de leve
- Bom, acho que vou esperar em algum lugar... an, menos, hm, menos aqui...
- É, boa ideia - E dou um sorriso
Ele sai do banheiro, eu me levanto, saio da banheira e me seco. Vou até o espelho, pego meu roupão do lado e saio também, depois vou até meu quarto. Entro e vejo que Ethan está olhando os porta-retratos da minha mãe...
- Ela era linda, igual a filha. - Uou, como assim "igual a filha"? Minha mãe havia morrido a um ano.
- É, era linda. E a melhor mãe de todas.
- Sente saudades dela ainda?
- Sinto, às vezes costumo cantar a canção que ela cantava pra mim quando era pequena.
- Entendo
Vou até meu armário e tiro um shorts de pijama e uma camiseta com dois gatinhos, conjunto que meu pai comprou...
- Amo gatos - Agora ele estava virado pra mim, olhando pra camiseta.
- Eu também, meu pai acertou na hora da compra - Dou um sorriso. Ele me devolve o sorriso.
Eu me viro e vou até o espelho de corpo inteiro, abaixo na gaveta e pego uma calcinha de pano azul, normal e um sutiã de renda azul também.
- Você pode se virar, hm... Por favor? - Eu estava corada
- Ah, claro.
Ele se virou, tirei o roupão e joguei em cima da cama, coloquei uma perna na calcinha, depois a outra, subi ela. Peguei o sutiã, coloquei um braço de cada vez e...
- Hm, você pode abotoar aqui pra mim?
Ele se vira, devagar e de longe ainda, para e me olha por uns segundos, depois, vai até mim. Eu cruzei meus braços e abaixei a cabeça. Por que pedi isso?? Ele pega as pontas do sutiã e encaixa. Mas fica ali. Sinto os dedos dele passarem por minhas costas. Dedos macios. Depois por meus braços, chega até minhas mãos e coloca ela ao lado do meu corpo. Ele levanta meu queixo e olho para o espelho. Ele está atrás de mim, olhando para o espelho também. Beija meu ombro direito, meu pescoço, minha nuca. Eu fecho os olhos e percebo que minha boca está entreaberta. Agora ele abaixa as mãos, passa pela lateral mo meu corpo, até minhas coxas. Aperta um pouco essa região e eu coloco o pescoço para trás, deitando a cabeça no ombro dele. Ele sobe uma das mãos até minha barriga, passa os dedos de leve e dá uma mordidinha no meu pescoço, depois beija. Eu solto um pequeno gemido. O braço dele entrelaça meu quadril, e ele para minha frente, eu abro os olhos, ele olha para mim, dos meus olhos, ele abaixa o olhar até minha boca, mas depois sobe aos meus olhos de novo. Eu me aproximo dele, e ele chega, para minha surpresa, bem rápido e cola os lábios nos meus, as mãos dele estão agarradas em minhas costas agora e a língua dele invade minha boca. Eu senti falta daquele beijo, foi como a primeira vez que nos beijamos perto do lago, quando estávamos olhando as estrelas...
Sinto ele apertando meu bum bum, coloco as mãos atrás do pescoço dele, beijando-o com mais intensidade. Ele pega minhas pernas e eu entrelaço-as na cintura dele, que vai andando até minha cama. Me deita e depois coloca os joelhos dos lados das minhas pernas. Eu sento, ele olha pra mim por um momento. Eu passo minhas mãos pela barriga dele, por baixo da camisa e vou subindo, a respiração dele acelera. Eu pego o primeiro botão da camisa e desabotoo, depois o segundo, terceiro... Até o fim, e tiro a camisa dele, jogando-a em algum lugar do quarto. Deus, tinha me esquecido daqueles músculos...
- Eu... - Ele começou. Dei um riso brincalhão. - Idiota - ele ri e me beija de novo. Eu começo a passear minhas mãos por suas costas e...
Trimmm... A campainha toca.
- Droga - eu digo.
- Quer que eu veja quem é?
- Não, pode deixar, eu vejo...
Levanto, visto o pijama, antes abandonado e antes de sair, Ethan me pega pela mão e me dá outro beijo. Eu desço as escadas, com cuidado, lembrando-me do meu pé e vou até a porta. Abro.
- Oi Katinha!! - Apelido que ele associou a "gatinha"
- Oi Sam...
- Passei pra perguntar por que a mocinha não foi pra escola.
Aponto pro meu pé.
- O que aconteceu?
- Algo na cozinha quebrou, fui ver o que era e acabei pisando em um caco de vidro.
- E onde aprendeu a fazer curativo?
- Bom, an... Não fui eu...
De repente Sam fixa o olhar em algo atrás de mim. Eu me viro pra ver e dou de cara com Ethan. Droga... Ele ainda tava sem camisa... O que eu fiz?
- Hm... Oi, Ethan.
- Eaí Sam.
Os dois apertam as mãos.
- Bom... Sam veio pra ver o porque de eu não ter ido à escola.
- Ela foi gravemente ferida - diz Ethan
- Vi.
- Ethan... estava me ajudando com o pé. - Eu digo, corando
- Sei. Bom, tenho que ir, te passo as coisas amanhã Kat. Até mais Ethan.
- Té.
Fecho a porta e ele coloca os braços na porta, atrás de mim, me fechando. Olha nos meus olhos e se aproxima. Eu viro o rosto, tenho que resistir...
- Hm, tá com fome? - Eu pergunto. Ele tira as mãos e se afasta um passo.
- Sim, sim claro.
- Vou fazer uns lanches.









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