Capítulo 8
Após longos minutos, que para mim pareceram horas, decidi que em algum momento eu teria que abrir os olhos, ou então a água quente iria enrugar a pele do meu corpo inteiro.
Com muita coragem, levantei-me da banheira, peguei uma toalha, e enrolei-a no corpo. Respirei fundo três vezes, e coloquei a mão na maçaneta. Contei até cinco e...
Até dez.
Até vinte.
Até trinta e cinco...
A porta abriu.
- Katty, você está parada aí há um século. A sombra dos seus pés nem se mexe, sai daí, vai.
Ethan estava com as sobrancelhas franzidas, seus olhos azuis brincalhões. Bem bipolar. Não me mexi por um tempo, depois olhei para o chão, e saí, esbarrando no ombro dele.
- Vou me trocar.
- Kat...
- Pode sair, por favor?
Ele perdurou seu olhar no meu por alguns segundos, mas apertou os lábios numa linha fina, virou-se e saiu.
Eu não conseguia pensar, então comecei a sorrir. Por que eu estava sorrindo? E então, a rir. E um tempo depois, eu estava gargalhando, e não conseguia parar. Talvez eu precisasse ser internada, Deus, qual era o meu problema? Sentei na cama, sem fôlego, com as mãos nos joelhos. Eu estava rindo de desespero, socorro, eu estava desesperada sem saber o qhe fazer.
Batidas na porta.
- Está tudo bem aí?
A voz de Ethan estava divertida.
- Tu... tudo... - Disse, em meio a risadas. Silêncio do lado de fora.
Comecei a parar de rir aos poucos, suspirei, me recuperei, me vesti com uma camisa enorme que estava no meu guarda roupas e eu não tinha ideia se era ou não minha, e saí do quarto. Ethan estava há uns passos da porta, me observando. Desci as escadas sem nem olhar pra ele, me joguei no sofá, liguei a televisão, e fiquei assistindo. Ouvi seus passos ao descer os degraus, ele sentou com cuidado no sofá, e olhou para a tela. Não falou nada. Nadinha. Nem uma palavra.
Lembrei que Sam viria para cá, já eram 19h30... meu Deus. Estiquei meu braço para trás do sofá, e peguei o telefone para ligar para o restaurante de comida chinesa.
- ... isso, tudo bem. - passei meu endereço, e após saber da demora de uma hora que levaria, desliguei. Coloquei o telefone no gancho, e olhei pro Ethan. Ele estava com os olhos na televisão, mas parecia não estar prestando atenção. Estava aéreo.
- Está com tanta fome?
- O quê? - fiquei confusa.
- Você pediu duas pizzas, e eu vou ir embora daqui a pouco.
- Ah, o Sam vai vir aqui.
Ethan acenou com a cabeça, e ficou parado lá. Tudo bem.
- Olha, E., Sam é meu melhor amigo, e eu não sei o que você está pensando que vai acontecer entre a gente, porque nada vai acontecer, entende? Não deu certo, e não vai dar certo de novo. Não quero entrar num labirinto do qual já achei a saída.
- Seria arriscar demais para você, não é, Kat?.
Fiquei paralisada olhando para ele, aquela pergunta... ou melhor, afirmação, porque não parecia nada com uma pergunta, caiu como um balde de água fria em cima de mim.
Até que ele se levantou, pegou as chaves do carro na mesa, e saiu. Não houve batida de porta, não houve sequer um único barulho vindo de sua ida. Meu mundo parou.
-----------------
O barulho alto do carro de Sam me fez pular. Então eu pisquei. Não que eu não tenha piscado esses minutos todos que estava parada aqui, mas senti como se o tempo tivesse dado uma pausa tão longa, a ponto de eu perder todos os meus sentidos.
O que Ethan disse, não era apenas uma frase qualquer para me irritar, ou provocar. Era uma sombra na minha vida, como se fosse um enorme monstro que sentava nas minhas costas e nunca se levantava. Toda a minha vida, vivenciei meus relacionamentos como eu bem entendia, sem me preocupar muito com os sentimentos dos outros. Mas não era de propósito, era só... como se nenhuma das pessoas que tivessem estado ao meu lado tivessem valido minha preocupação. Como se eu não me envolvesse o suficiente para achar aquilo grande coisa. Mas aí eu conheci o Ethan. E me envolvi, me perdi, me deixei levar completamente. E quando ele cansou, eu perdi meu fôlego, minha chama viva. Parece muito clichê e babaca dizer isso, mas foi como me senti naquela época. Talvez seja como me sinta até hoje, acontece que eu me desliguei. Desliguei os sentimentos por ele, e tentei seguir a vida, a qual estava muito bem, tinha amigos incríveis, estava no segundo semestre do último ano da escola, ia escolher a faculdade... mas faltava um pedaço. Um pedaço que fazia um buraco tão grande, que me corroia todas as vezes que pensava nele. Antes, eu achava que gostar de outra pessoa era só um pedaço de tempo que qualquer hora passaria, sempre pensei que nunca iria me perder por conta de outra pessoa, porque isso era idiotice, tanto é que isso nunca havia acontecido. E apesar de tantas dúvidas e mancadas que cometi com ele, eu o amava. E foda-se, eu realmente o amava. Só não tinha a maturidade de perceber e lidar com isso de uma forma tranquila. E então, ele escapou pelos meus dedos, e começou a sair com algumas garotas. Foi aí que eu comecei a chorar todos os dias.
Mudei meu pensamento, desse dia em diante: o amor é parte de todos nós, nada flui sem ele, é como se o amor fosse a água do mar, que servisse para que o barco viajasse até o outro lado. E por mais que ele estivesse longe de mim, e com outras pessoas, era um alívio saber que ele estava feliz. Por isso aquela frase me chocou tanto... eu tinha medo de estar com ele, e deixá-lo escorrer pelos meus dedos novamente. Eu não queria tentar, porque a ferida era tão grande, que toda vez que ele chegava perto, eu sentia arranhões insuportáveis nela.
- Katty? - Sam estava parado, olhando nos meus olhos, na minha frente, agachado, com as mãos dos meus dois lados, segurando no sofá.
- Hey! Pedi a comida chinesa. Ela chega em alguns minutos. - Olhei nos olhos dele também, e sorri. Um sorriso muito forçado. Ele franziu as sobrancelhas, mas levantou e sentou-se ao meu lado.
- Ethan foi há quanto tempo?
Olhei para ele em choque
- Isso confirmou que houve alguma coisa. O que rolou, Kat? Ele te machucou? Pedi pra garota da minha aula de filosofia encontrar com ele às 21h, ele confirmou, então acho que ele foi embora cedo demais.
Lembrei que eu havia contado a Sam que Ethan estaria aqui hoje. Bom, eram oito e vinte da noite, então ele teria tempo de sobra para encontrar-se com a garota.
- Faz uns trinta minutos. Não rolou nada. - tentei me entreter com os comerciais de brinquedo que passeavam na televisão.
- Você está bem, então? - Sam não parecia convencido, então coloquei meu melhor sorriso e disse que sim, acenando com a cabeça.
A campainha tocou bem na hora que ele ia dizer alguma coisa.
- Eu pego - levantei-me, peguei a chave na mesa, e fui até o portão ao encontro de nossa deliciosa comida chinesa.
Talvez minha noite com Sam me faça esquecer um pouco meus sentimentos. Quando voltei, vi que Sam havia arrumado a mesa de cento da sala para colocarmos a comida.
- Você saiu só com essa camiseta pra pagar o cara. Com certeza ele babou feito um cachorro e nem prestou atenção no troco. Eu deveria ter ido.
Ele estava tirando as bandejas da sacola e colocando na mesa. Olhei para baixo, e lembrei que estava só com a camisa e uma calcinha.
- An... eu tinha até esquecido. - minhas bochechas ficaram avermelhadas, e acho que Sam notou, porque deu um sorriso de canto de boca malicioso.
- Pois é, eu deveria ter ido.
Ele se levantou e dirigiu-se até a cozinha. Quando voltou, estava com dois copos de vidro nas mãos. Prestei atenção no que ele vestia: uma camiseta preta, jeans largos, e tênis igualmente pretos. Sam estava mais... corpudo do que antes. Seus cachinhos caiam na testa, dando-lhe um charme a mais.
Sam se sentou e serviu dois copos de refrigerante para nós.
- Então, o que veremos?
Tinha esquecido de escolher o filme.
- Caramba, esqueci o filme!
- Não me surpreende, Kat, não me surpreende. - Ele deu um sorriso aberto e cheio de dentes, pegou o controle remoto, e passou pelos canais de filme, até encontrar um de terror que nunca tínhamos visto. O que era difícil, porque Sam e eu maratonavamos apenas filmes de terror, desde que éramos crianças.
Encostei-me no sofá atrás da gente, e olhei para ele enquanto ele se concentrava na TV.
Nos conhecemos no ensino fundamental, e viramos melhores amigos desde o primeiro dia de aula. Passávamos os intervalos juntos, ele sempre se preocupava comigo quando eu faltava. Nas aulas de matemática, quase não prestavamos atenção. Odiávamos exatas, então ficávamos brincando na maioria delas, e rindo como retardados. Dei um sorriso involuntário ao lembrar disso.
Quando crescemos, continuamos a passar os intervalos juntos no ensino médio, mas nosso grupo aumentou. Kess juntou-se a nós no primeiro ano, e alguns amigos de Sam passavam algum tempo com a gente também. Conheci Ethan no segundo ano...
Balancei a cabeça, tirando ele da mente. Olhei para a televisão, e comecei a prestar atenção no filme. Sangue e cabeças sendo cortadas. Monstros aparecendo, e eu comendo meu sushi. Sam aproximou-se mais ao meu lado, e comemos tranquilos, fazendo uma piada aqui e outra ali ao decorrer dos minutos, por causa das cenas ridículas que apareciam.
--------
Quando me dei conta, o filme estava no final, e eu estava deitada no colo de Sam, os dois no chão, e ele estava me fazendo cafuné.
- Cara, a gente tem que escrever uma lista de filmes bons, porque só o que a gente teve aqui foram piadas, o resto foi terrível - Ele riu alto, e eu sorri.
- Da próxima vez a gente escolhe melhor, prometo.
Agora passavam os créditos. Várias letras subindo pela tela, mas eu estava sem coragem de levantar, estava quase fechando os olhos. A mão de Sam relutou. Ele desceu para o meu pescoço. Abri os olhos.
Ele passava os dedos levemente pelo meu pescoço, e eu fiquei paralisada.
- Psiu. O que você está fazendo?
- perguntei
Ele não falou nada, levantei. Me olhou nos olhos, e foi se aproximando da minha boca. Olhei para seus lábios, que agora estavam tocando os meus, e eu cedi. Fui parar no seu colo, foi então que ouvimos um barulho estridente do lado de fora da casa, e depois, uma porta sendo fortemente fechada no andar de cima.
Com muita coragem, levantei-me da banheira, peguei uma toalha, e enrolei-a no corpo. Respirei fundo três vezes, e coloquei a mão na maçaneta. Contei até cinco e...
Até dez.
Até vinte.
Até trinta e cinco...
A porta abriu.
- Katty, você está parada aí há um século. A sombra dos seus pés nem se mexe, sai daí, vai.
Ethan estava com as sobrancelhas franzidas, seus olhos azuis brincalhões. Bem bipolar. Não me mexi por um tempo, depois olhei para o chão, e saí, esbarrando no ombro dele.
- Vou me trocar.
- Kat...
- Pode sair, por favor?
Ele perdurou seu olhar no meu por alguns segundos, mas apertou os lábios numa linha fina, virou-se e saiu.
Eu não conseguia pensar, então comecei a sorrir. Por que eu estava sorrindo? E então, a rir. E um tempo depois, eu estava gargalhando, e não conseguia parar. Talvez eu precisasse ser internada, Deus, qual era o meu problema? Sentei na cama, sem fôlego, com as mãos nos joelhos. Eu estava rindo de desespero, socorro, eu estava desesperada sem saber o qhe fazer.
Batidas na porta.
- Está tudo bem aí?
A voz de Ethan estava divertida.
- Tu... tudo... - Disse, em meio a risadas. Silêncio do lado de fora.
Comecei a parar de rir aos poucos, suspirei, me recuperei, me vesti com uma camisa enorme que estava no meu guarda roupas e eu não tinha ideia se era ou não minha, e saí do quarto. Ethan estava há uns passos da porta, me observando. Desci as escadas sem nem olhar pra ele, me joguei no sofá, liguei a televisão, e fiquei assistindo. Ouvi seus passos ao descer os degraus, ele sentou com cuidado no sofá, e olhou para a tela. Não falou nada. Nadinha. Nem uma palavra.
Lembrei que Sam viria para cá, já eram 19h30... meu Deus. Estiquei meu braço para trás do sofá, e peguei o telefone para ligar para o restaurante de comida chinesa.
- ... isso, tudo bem. - passei meu endereço, e após saber da demora de uma hora que levaria, desliguei. Coloquei o telefone no gancho, e olhei pro Ethan. Ele estava com os olhos na televisão, mas parecia não estar prestando atenção. Estava aéreo.
- Está com tanta fome?
- O quê? - fiquei confusa.
- Você pediu duas pizzas, e eu vou ir embora daqui a pouco.
- Ah, o Sam vai vir aqui.
Ethan acenou com a cabeça, e ficou parado lá. Tudo bem.
- Olha, E., Sam é meu melhor amigo, e eu não sei o que você está pensando que vai acontecer entre a gente, porque nada vai acontecer, entende? Não deu certo, e não vai dar certo de novo. Não quero entrar num labirinto do qual já achei a saída.
- Seria arriscar demais para você, não é, Kat?.
Fiquei paralisada olhando para ele, aquela pergunta... ou melhor, afirmação, porque não parecia nada com uma pergunta, caiu como um balde de água fria em cima de mim.
Até que ele se levantou, pegou as chaves do carro na mesa, e saiu. Não houve batida de porta, não houve sequer um único barulho vindo de sua ida. Meu mundo parou.
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O barulho alto do carro de Sam me fez pular. Então eu pisquei. Não que eu não tenha piscado esses minutos todos que estava parada aqui, mas senti como se o tempo tivesse dado uma pausa tão longa, a ponto de eu perder todos os meus sentidos.
O que Ethan disse, não era apenas uma frase qualquer para me irritar, ou provocar. Era uma sombra na minha vida, como se fosse um enorme monstro que sentava nas minhas costas e nunca se levantava. Toda a minha vida, vivenciei meus relacionamentos como eu bem entendia, sem me preocupar muito com os sentimentos dos outros. Mas não era de propósito, era só... como se nenhuma das pessoas que tivessem estado ao meu lado tivessem valido minha preocupação. Como se eu não me envolvesse o suficiente para achar aquilo grande coisa. Mas aí eu conheci o Ethan. E me envolvi, me perdi, me deixei levar completamente. E quando ele cansou, eu perdi meu fôlego, minha chama viva. Parece muito clichê e babaca dizer isso, mas foi como me senti naquela época. Talvez seja como me sinta até hoje, acontece que eu me desliguei. Desliguei os sentimentos por ele, e tentei seguir a vida, a qual estava muito bem, tinha amigos incríveis, estava no segundo semestre do último ano da escola, ia escolher a faculdade... mas faltava um pedaço. Um pedaço que fazia um buraco tão grande, que me corroia todas as vezes que pensava nele. Antes, eu achava que gostar de outra pessoa era só um pedaço de tempo que qualquer hora passaria, sempre pensei que nunca iria me perder por conta de outra pessoa, porque isso era idiotice, tanto é que isso nunca havia acontecido. E apesar de tantas dúvidas e mancadas que cometi com ele, eu o amava. E foda-se, eu realmente o amava. Só não tinha a maturidade de perceber e lidar com isso de uma forma tranquila. E então, ele escapou pelos meus dedos, e começou a sair com algumas garotas. Foi aí que eu comecei a chorar todos os dias.
Mudei meu pensamento, desse dia em diante: o amor é parte de todos nós, nada flui sem ele, é como se o amor fosse a água do mar, que servisse para que o barco viajasse até o outro lado. E por mais que ele estivesse longe de mim, e com outras pessoas, era um alívio saber que ele estava feliz. Por isso aquela frase me chocou tanto... eu tinha medo de estar com ele, e deixá-lo escorrer pelos meus dedos novamente. Eu não queria tentar, porque a ferida era tão grande, que toda vez que ele chegava perto, eu sentia arranhões insuportáveis nela.
- Katty? - Sam estava parado, olhando nos meus olhos, na minha frente, agachado, com as mãos dos meus dois lados, segurando no sofá.
- Hey! Pedi a comida chinesa. Ela chega em alguns minutos. - Olhei nos olhos dele também, e sorri. Um sorriso muito forçado. Ele franziu as sobrancelhas, mas levantou e sentou-se ao meu lado.
- Ethan foi há quanto tempo?
Olhei para ele em choque
- Isso confirmou que houve alguma coisa. O que rolou, Kat? Ele te machucou? Pedi pra garota da minha aula de filosofia encontrar com ele às 21h, ele confirmou, então acho que ele foi embora cedo demais.
Lembrei que eu havia contado a Sam que Ethan estaria aqui hoje. Bom, eram oito e vinte da noite, então ele teria tempo de sobra para encontrar-se com a garota.
- Faz uns trinta minutos. Não rolou nada. - tentei me entreter com os comerciais de brinquedo que passeavam na televisão.
- Você está bem, então? - Sam não parecia convencido, então coloquei meu melhor sorriso e disse que sim, acenando com a cabeça.
A campainha tocou bem na hora que ele ia dizer alguma coisa.
- Eu pego - levantei-me, peguei a chave na mesa, e fui até o portão ao encontro de nossa deliciosa comida chinesa.
Talvez minha noite com Sam me faça esquecer um pouco meus sentimentos. Quando voltei, vi que Sam havia arrumado a mesa de cento da sala para colocarmos a comida.
- Você saiu só com essa camiseta pra pagar o cara. Com certeza ele babou feito um cachorro e nem prestou atenção no troco. Eu deveria ter ido.
Ele estava tirando as bandejas da sacola e colocando na mesa. Olhei para baixo, e lembrei que estava só com a camisa e uma calcinha.
- An... eu tinha até esquecido. - minhas bochechas ficaram avermelhadas, e acho que Sam notou, porque deu um sorriso de canto de boca malicioso.
- Pois é, eu deveria ter ido.
Ele se levantou e dirigiu-se até a cozinha. Quando voltou, estava com dois copos de vidro nas mãos. Prestei atenção no que ele vestia: uma camiseta preta, jeans largos, e tênis igualmente pretos. Sam estava mais... corpudo do que antes. Seus cachinhos caiam na testa, dando-lhe um charme a mais.
Sam se sentou e serviu dois copos de refrigerante para nós.
- Então, o que veremos?
Tinha esquecido de escolher o filme.
- Caramba, esqueci o filme!
- Não me surpreende, Kat, não me surpreende. - Ele deu um sorriso aberto e cheio de dentes, pegou o controle remoto, e passou pelos canais de filme, até encontrar um de terror que nunca tínhamos visto. O que era difícil, porque Sam e eu maratonavamos apenas filmes de terror, desde que éramos crianças.
Encostei-me no sofá atrás da gente, e olhei para ele enquanto ele se concentrava na TV.
Nos conhecemos no ensino fundamental, e viramos melhores amigos desde o primeiro dia de aula. Passávamos os intervalos juntos, ele sempre se preocupava comigo quando eu faltava. Nas aulas de matemática, quase não prestavamos atenção. Odiávamos exatas, então ficávamos brincando na maioria delas, e rindo como retardados. Dei um sorriso involuntário ao lembrar disso.
Quando crescemos, continuamos a passar os intervalos juntos no ensino médio, mas nosso grupo aumentou. Kess juntou-se a nós no primeiro ano, e alguns amigos de Sam passavam algum tempo com a gente também. Conheci Ethan no segundo ano...
Balancei a cabeça, tirando ele da mente. Olhei para a televisão, e comecei a prestar atenção no filme. Sangue e cabeças sendo cortadas. Monstros aparecendo, e eu comendo meu sushi. Sam aproximou-se mais ao meu lado, e comemos tranquilos, fazendo uma piada aqui e outra ali ao decorrer dos minutos, por causa das cenas ridículas que apareciam.
--------
Quando me dei conta, o filme estava no final, e eu estava deitada no colo de Sam, os dois no chão, e ele estava me fazendo cafuné.
- Cara, a gente tem que escrever uma lista de filmes bons, porque só o que a gente teve aqui foram piadas, o resto foi terrível - Ele riu alto, e eu sorri.
- Da próxima vez a gente escolhe melhor, prometo.
Agora passavam os créditos. Várias letras subindo pela tela, mas eu estava sem coragem de levantar, estava quase fechando os olhos. A mão de Sam relutou. Ele desceu para o meu pescoço. Abri os olhos.
Ele passava os dedos levemente pelo meu pescoço, e eu fiquei paralisada.
- Psiu. O que você está fazendo?
- perguntei
Ele não falou nada, levantei. Me olhou nos olhos, e foi se aproximando da minha boca. Olhei para seus lábios, que agora estavam tocando os meus, e eu cedi. Fui parar no seu colo, foi então que ouvimos um barulho estridente do lado de fora da casa, e depois, uma porta sendo fortemente fechada no andar de cima.
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