Madrugada agitada

   Estou dentro de um quarto? O que é isso? Tá tudo rodando... Não consigo... não consigo acor.... 
Pisco, sinto meus olhos pesados, o suor dominando meu corpo. Abro completamente os olhos, olho o teto... Está tudo girando e minha cabeça dói. Quero voltar a dormir, mas não quero sufocar com meu sonho de novo. Fecho os olhos e ponho as mãos em meu rosto, tapando meus olhos, nariz e boca. Não vou conseguir dormir novamente, meu sono passou. Abro os olhos e devagar vou me levantando. Sento na beirada da cama e coloco os pés na minha pantufinha vermelha em cima do tapete. Tenho que achar meu celular, está tudo escuro ainda e não quero acordar meus pais com as luzes pela casa. Tateio o criado mudo ao lado da minha cama, tenho que achar o... Ah, encontrei. Droga! Esqueci de carregar de novo... Sem bateria. Não vou acordar meus pais por causa das minhas manias de acordar no meio da madrugada. Levanto da cama e vou até a porta, abro e, tateando as paredes vou até a escada, descendo devagar e tentando não tropeçar como sempre faço. Desci. Acho que sou muito desastrada... Esbarrei em alguma coisa, droga! Não, não cai por fav... Tarde demais. Algo metálico em que eu esbarrei caiu no chão, mas não fez barulho. Ah, é o tapete. Salva pela sorte! Continuo andando. Tenho que chegar no banheiro.
   Tateando as paredes, tateando as paredes... Cheguei. A porta está fechada. Mas ela nunca está fechada... A menos que tenha alguém dentro. Deslizo a maçaneta pra baixo e empurro a porta. Está destrancada. Menos mau. Entro e fecho a porta, acendo a luz. Certo, agora tenho iluminação. Me debruço na pia, abro a torneira e deixo a água refrescar meus pulsos, colocando agora a mão molhada atrás da cabeça, na nuca. Já estou sentindo o calor deixar meu corpo. Molho mais uma vez as mãos e passo no rosto, uma, duas, três vezes. Toalha... Cadê a toalha? Ah, aqui. Pego a toalha de cima do cesto de roupas, deve ter caído do... Como é mesmo o nome do troço que pendura as toalhas? Esqueci. Realmente eu tenho a memória meio ruim... Dou batidinhas para secar o rosto, a nuca e os pulsos, deixando meio úmidos para o calor não voltar tão cedo. Seco as mãos. Coloco a toalha no lugar e abro a porta. Droga, escuridão de novo.
   Apago a luz do banheiro e faço meu caminho para a cozinha, tateando as paredes novamente. Ahá! O interruptor. Dessa vez não foi tão difícil. Acendo a luz e vou até a pia... Não tinha percebido o quanto minha boca e garganta estavam secas. Encho um copo com água e dou leves golinhos, sentindo o líquido gelado pela garganta... Certo, agora é só tatear o caminho de volta para o quarto. Mas eu tenho quase certeza que meu pai deixou uma lanterna aqui no armário... Ah, sim, aqui. Agora será mais fácil. Subo até meu quarto e fecho a porta atrás de mim. Sento na cama, desligo a luz da lanterna, tiro as pantufas vermelhas que mamãe comprou pra mim mês passado... Droga, tenho que esquecer mês passado. Aquilo já passou... Já foi. Passado...
   Deito na cama, fecho os olhos e afasto as cobertas para meus pés. Está calor demais, tenho que comprar logo um ar condicionado ou um ventilador... Não, ventilador faz muito barulho, tem que ser o ar condicionado. Sinto meus olhos ficarem pesados. O sono voltou, mas o calor não vai embora. Eu poderia dormir na sala... Ah, a sala... Tempos que eu me agarrava ao Sam, naquele sofá e dormia. Às vezes não... 

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